O projeto

Um mês, uma quadrícula, a cidade toda ao fim da ronda.

Quadrículas
32
2 km de lado
Duração de uma ronda
32 meses
quase três anos
Fotógrafos
12–13
por ronda
Frente ribeirinha
16 km
dentro do levantamento

A Grelha de Lisboa documenta cada quilómetro quadrado da cidade: não os sítios das fotografias de sempre, mas o mato, os bairros de habitação, os 16 quilómetros de frente ribeirinha, os parques — e tudo o que fica pelo meio.

O mapa da cidade está dividido em 32 quadrículas de 2 km de lado. Todos os meses, o grupo inteiro fotografa a mesma quadrícula; no mês seguinte, passa à próxima. Em maio fotografa-se a B3, em junho a E4, e assim por diante. Cada um fotografa o que lhe apetecer lá dentro, faz a sua própria seleção e apresenta-a na reunião do mês seguinte — em papel ou em ecrã.

É aí que o método se mostra: a mesma rua, no mesmo mês, vista por doze pessoas diferentes. As reuniões acontecem onde for prático — escritórios, casas, ateliês, cafés.

Porquê Lisboa

Lisboa está a mudar depressa — prédios novos, infraestrutura a mudar de forma, modas que passam. Quase sempre, essas mudanças passam despercebidas. Há fotógrafos convencidos de que é preciso ir a Paris ou a Nova Iorque para encontrar assunto, enquanto quem chega a Lisboa fica espantado com o que aqui há para fotografar.

Isso acontece por se andar sempre pelos mesmos sítios e por se evitar as zonas que parecem não ter interesse. A grelha obriga ao contrário: manda-nos a sítios que nunca escolheríamos. Também obriga a fotografar com regularidade, inclusive nos meses em que não apetece. E, ao voltar às mesmas quadrículas em rondas seguintes, fica registado o que mudou.

De onde vem

Em outubro de 1995, o fotógrafo Christopher Rauschenberg cortou um mapa de Portland em 98 pedaços e convidou 12 fotógrafos locais — cada um com as suas câmaras, películas, formatos e processos — a fotografar um quadrado sorteado por mês. Ao longo de uma década, cada milha quadrada de Portland ficou documentada, em mais de 20 000 imagens partilhadas entre os participantes.

O Portland Grid Project continua, já na quarta ronda e no seu trigésimo ano, com uma exposição de todos os fotógrafos participantes na Blue Sky Gallery em 2026. A Grelha de Lisboa nasce daí: de um antigo participante das rondas 3 e 4 de Portland, que trouxe o método para a cidade onde passou a viver.

O compromisso

Procuramos fotógrafos disponíveis para percorrer as 32 quadrículas — cerca de 32 meses, quase três anos. Fotografar todos os meses, às vezes mais do que uma vez: há quadrículas que se resolvem numa saída e outras que pedem várias, em horas diferentes, talvez de noite. Depois, editar e apresentar a seleção na reunião seguinte, já a fotografar a quadrícula seguinte.

O grupo fica limitado a 12 ou 13 pessoas: mantém as reuniões praticáveis e alarga a variedade de olhares sobre a cidade. A ronda original de Portland levou nove anos a completar, com vários fotógrafos a repetir rondas.

Interessa-lhe? Falemos. Pedimos uma amostra do seu trabalho e o compromisso de completar pelo menos uma ronda.

A grelha assenta no limite administrativo do município de Lisboa, do OpenStreetMap (relação 5400890). Uma quadrícula entra no levantamento quando pelo menos 1% da sua área cai dentro do concelho; a zona sombreada no mapa fica fora de limites. Dados do limite: © OpenStreetMap contributors, ODbL.